terça-feira, 17 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Três" no Armazém 8


domingo, 8 de janeiro de 2017

Monumentos - Biblioteca Pública (Primitivo Colégio dos Meninos do Coro da Sé e Celeiro dos Bispos)


Neste sítio funcionou, em tempos remotos e com função sagrada a Catedral, enquanto duraram as obras deste monumento e, mais tarde, de licença episcopal os Paços do Concelho, com casa própria de audiências, alpendre e crasta, dos fins do séc. XIV ao ano de 1517, data de inauguração no novo edifício municipal da Praça do Geraldo, levantado com subsídios do rei D. Manuel. 

Após esta mudança, ainda se utilizaram dele o Tribunal da Relação, no governo do prelado D. Afonso de Portugal e o Colégio dos Moços do Coro da Sé, em tempos do cardeal-infante D. Henrique, até ruína total do corpo nobre que se refez, somente, a instâncias do Governador do Arcebispado, D. fr. Luís de Sousa, bispo eleito do Porto, em 1656. Todavia, no piso térreo da banda meridional funcionou, até meados do séc. XIX, o Celeiro dos Arcebispos, vasta dependência que, acrescida de outras mais modernas serviu, algumas décadas, de Secção Arqueológica, núcleo reunido pelo dr. Augusto Filipe Simões e transferido em 1940 para o Museu Regional. 

A Biblioteca Pública de Évora, das mais notáveis do país, foi fundada no ano de 1805 pelo eminente arcebispo D. fr. Manuel do Cenáculo Vilas Boas. Possui para cima de 500 000 mss., 250 000 volumes impressos, dos quais 8 000 reservados e 500 incunábulos, com obras raríssimas e únicas no Mundo, além de 7 000 espécies de títulos de revistas, boletins e jornais antigos e modernos. O aspecto exterior do edifício é mantido pelas linhas gerais da reconstrução seiscentista de D. Fr. Luís de Sousa, com pavilhão rectangular de fachada voltada ao ocidente, aberta em janelas graníticas, de vergas direitas, certamente modificadas, sobretudo as do rés-do-chão. 

A cobertura, de quatro águas e de vertente muito acentuadas foi, infelizmente, rematada com telha de marselha em épocas recentes, o que descaracteriza a silhueta do imóvel. Os cunhais, são de granito aparelhado, em blocos irregulares e friso de beiral ornamentado com triglifos e métopas, de estuque, copiado do vizinho Convento de S. João Evangelista. As janelas, com cimalhas e frontões duplos, sem retorno, são defendidas por grades de ferro forjado, em desenho de liras estilizadas terminadas com granadas, ainda dentro do espírito da arte rococó, segundo arranjo da época de D. Fr. Manuel do Cenáculo (c.ª de 1805). 

O passadiço que fecha o ângulo recto do edifício e comunicava com o Paço Arquiepiscopal foi começado em Dezembro de 1666 por empreitada de mestre Paulo Rodrigues. É aberto em arco ligeiramente abatido, de aduelas de pedra e está, no corpo interno, decorado por composições pintadas a óleo, representando figuras doutoras da Igreja, autenticadas pelo brasão do fundador da Biblioteca. O átrio, salas Cenáculo e Botelho de Lima e escadaria, de mármore branco, foram remodelados estruturalmente durante a direcção operosa do Bibliotecário dr. Filipe Simões, com remate no ano de 1877, que, também, beneficiou o andar nobre, cuja sala maior, a da Leitura Geral, conserva a estrutura arquitectónica que lhe imprimiu o antístite fundador. 

É coberta com tecto de meio canhão, onde existiram pinturas murais, que se perderam: as paredes estão completamente rodeadas de estantes de madeira, de alto a baixo, com preciosas obras impressas, dos sécs. XVII-XVIII. Ambos os topos estão compostos por telas pintadas a óleos, emolduradas em talha dourada e envolvidas com ornatos vegetalistas e de óvulos, sendo a mais antiga, com armorial da Casa Real Portuguesa, uma cópia de quadro italiano de Trevisani, representando o busto da Virgem, feito pela princesa D. Maria Benedita de Bragança, filha de D. Maria I e fundadora do Hospital Militar de Runa. 

Está sobrepujada pela legenda latina: SEDES SAPIENTIAE. No extradorso, em vestíbulo adornado pelas figuras parietais dos quatro Evangelistas, de grandes proporções feitas em 1805 pelo pintor Matias José de Castro (tapados por estantes e livros), existe um portal apilastrado, ao gosto neoclássico, de madeira guarnecida e tímpano de inscrição comemorativa, em latim, que diz: JESV. CHRISTO.FILIO.DEI VIVI LVMINI.INDEFICIENTI. AD.MENTEM.BENE.COLLOCANDAM RELIGIONEM.ASSERENDAM DOMVM.LITERARIAM CVM.VOTO.PERENNITATIS FR.EMM.ARCH.EBOREN OCT.KAL.APRIL.AN.DOM.MDCCCV. 

No topo norte da Sala de Leitura, em tamanho natural, vê-se o retrato do eminente Cenáculo, do pintor português Isaías Newton, executado em 1872 segundo o original da Galeria da Catedral. Todos estes trabalhos de pintura, de execução inferior, têm pouco interesse artístico. Mais curioso e certamente coetâneo é o quadro de busto do mesmo prelado, atribuído a António Joaquim Padrão, que se guarda na Sala Cenáculo. Mede: Alt. 0,65 x larg. 0,48 m. Na Sala Nova existem, ainda, os seguintes retratos pintados a óleo, que são apenas documentos para uma iconografia da Casa Real Portuguesa da Dinastia de Bragança: D. Luís (1896) e D. Carlos (1899), de Marini; D. Luís Filipe e D. Manuel II, de Júlio A. César da Silva (1908). 

Do edifício primitivo apenas subsistiu o portal de arco quebrado em cantaria aparelhada, da Domus Municipalis, sito no corpo térreo e assente em degraus de pedra, composto de meias colunas com capitéis de ornamentos florais e de ábacos emoldurados, onde repousam três arquivoltas de perfis salientes e reentrantes. Bom exemplar do estilo gótico, de características medievais, está sobrepujado pelo escudo marmóreo, de armas do reino, da época de D. Afonso V ou de D. João II, formado por cinco escudetes postos em cruz, com bordadura carregada de dez castelos. O celeiro propriamente dito no seu aspecto actual, é salão muito posterior, de planta rectangular, com três naves e quatro tramos de pilares de secção poligonal, decorados por capitéis de granito, lisos. A abóbada é de barrete de clérigo dividida em arcos redondos, de alvenaria. 

Informação retirada daqui

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Monumentos - Aqueduto da Água de Prata


A gloriosa obra deveu-se ao rei D. João III e teve começo pouco depois de 1531, ano em que a côrte do Piedoso se fixou na capital do Alentejo com demora de quase urna década. Dirigiu os estudos técnicos, seu levantamento em planta e construção definitiva, segundo Regimento aprovado ulteriormente na regência da Rainha D. Catarina de Áustria, o arquitecto-mor da Comarca Francisco de Arruda, que provara a sua alta competência ao erguer o famoso Cano da Amoreira, em Eivas, em concorrência com os maiores mestres de pedraria do País, como se conclui da lição do escritor coetâneo João de Barres, que diz na Gramática da Língua Portuguesa, publicada em 1540: El-Rei (D. João III) mandou buscar os melhores officiaes de pedraria, que havia no reino. 

A nobreza portuguesa avaliando a excepcional importância do melhoramento público desejou, unanimemente, cooperar nele e, em finta ou renuncia dos assentamentos e tenças outorgados pelo erário régio, consentiu no desconto dos réditos do ano de 1534, que atingiu a vultuosíssima soma de 691 640 reais, importância que foi entregue a Duarte Moniz, recebedor da obra do aqueduto, segundo diploma da chancelaria datado de 12 de Julho de 1535. A inauguração do aqueduto teve efeito na tarde de 28 de Março de 1537, com lançamento das primeiras águas através das bocas dos leões de mármore, do primitivo chafariz da Praça do Geraldo, que ficava sotoposto ao arco triunfal romano e se perdeu, comumente à célebre obra do período clássico, que o arquitecto Afonso Álvares destruiu em 1570 obedecendo a ordens do cardeal-infante D. Henrique. Assistiu à cerimónia, que foi esplendorosa, em tribuna expressamente armada no local, o rei e a rainha de Portugal, o Senado e toda a corte. O acto terminou, no sítio, com uma movimentada corrida de toiros promovida pelos mercadores do povo. 

Nos assédios de 1663 o imóvel foi atingido gravemente pela artilharia na sua estrutura na confluência do Forte de St.º António e a consolidação morosa, sob assistência do provedor João da Cunha, teve fim no ano de 1670, cuja data existe sotoposta a cruz gravada no reboco de arco mestre, junto do parapeito leste da mesma obra militar. Vultuosa reconstrução e limpeza, sob assistência do eng. Adriano da Silva Monteiro e cooperação financeira da Câmara e Direcção das Obras Públicas, se efectuou entre 1873-79, no montante de 24 630$75, na zona compreendida entre Metrogos e as caixas de água do sopé de S. Bento, que cobria a extensão de 17 002 m, 952 mm. A obra teve como empreiteiro-construtor José da Rosa e capataz-pedreiro Manuel de Melo. 

Na década de 1890, sendo presidente do Município o Dr. Francisco Barahona Fragoso, o cano sofreu notável melhoria e foi coberto na sua quase totalidade. Nos últimos tempos tem sido, periodicamente, beneficiado pelos Serviços Municipalizados da Câmara de Évora. Principia o aqueduto nas nascentes ou minas da Graça do Divor, a 18 310 metros de distância dos muros quatrocentistas da cidade e a sua condução, que se faz por gravidade em tubagem subterrânea, ultimamente melhorada, é assinalada, poço a poço, na região original e em grande parte do percurso, por torrinhas de alvenaria de secção circular, que imprimem à zona quase peneplana particular curiosidade. 

A obra de arquitectura, desenhada com certa negligência e nalguns pontos por terminar, sem material aparelhado mas robusto, rompe em arcaria na lombada ocidental de S. Bento de Cástris, a cerca de 2 quilómetros da cidade e adquire, pelos volumes e silhueta, da Torralva às Portas da Lagoa, verdadeira monumentalidade. Fora da muralha existem alguns trechos artísticos importantes, que assinalamos: pormenor da arcada na passagem da Estrada Nacional 370, entre a Quinta da Torralva e o extinto Convento da Cartuxa, composto de três torrinhas ornamentais do estilo da Renascença, dos primeiros anos do 2.° terço do séc. XVI, sendo a central mais nobremente executada, aberta em pórtico de colunata dórica, de canduras em dois andares e nichos presentemente despidos de escultura. Vultuosos remates de planta ovóide, cupulados, com gomos revestidos nos extremos e no fecho por pináculos miniaturais, de idêntico desenho, como coroas imperiais, completam a interessante obra. 

Este acabamento é seguramente da 1.ª fase da construção e foi esquissado pelo responsável empreiteiro Francisco de Arruda, artista de grande pureza clássica. Na frente oriente do pilar central, aberta em mármore, está uma lápida comemorativa da fundação, com erros de cronologia, que a persistência do escritor António Francisco Barata, então Vereador do Pelouro de Instrução da Câmara determinou, no ano de 1904. O trecho mais imponente e alteroso situa-se na Estrada de Circunvalação, ao atingir e ultrapassar a muralha medieval e no prolongamento da Rua do Cano, estando nestes pontos fortemente reforçado por botaréus de andares de aparelho fruste e irregular, mas de nítida robustez. (Alt. máx. neste ponto: 25,93 m). A fonte do Chão das Covas não é muito antiga e foi aberta em 1701, com licença do rei D. Pedro II, cuja data existe esgrafitada na empena posterior. Sofreu restauro hodierno determinado pelo Município, que lhe modificou estruturalmente o depósito de mármore, sem atingir os volumes da caixa de água, também do séc. XVIII. 

A fachada principal ostenta, ao nível do cano, em retábulo sotoposto a coroamento de discos e cruz de alvenaria, as armas reais de Portugal ladeadas pela esfera armilar e cruz da Ordem de Cristo encerrada num círculo relevado. Na Rua de Pedro Simões o aqueduto readquire volumes de arquitectura, embora amalgamado e absorvido por casario populista, prosseguindo com acentuado pitoresco, tipismo e sinuosidade pela travessa das Nunes, Porta Nova, Rua do Salvador e Rua Nova, artéria onde Francisco de Arruda construiu c.ª de 1536 a mais formosa arca de água distribuidora do cano real. Ê esta levantada em granito da região no mais puro classicismo, na ordem dórica. De planta rectangular, ergue-se numa base pouco pronunciada, donde rompe o corpo nobre em colunata toscana, com depósito fechado no entrecolúnio. Rompente da arquitrave, em delicado lavor carcomida pelos séculos, o terraço ou açoteia tanto da predilecção dos habitantes do Sul, vigia o velho aqueduto sacrificado na sua integridade pelas necessidades do povo que, através dos tempos, nos seus vãos construiu lojas e casario utilitário. 

A mais importante e notável obra de arte que rematava o cano, feita do mesmo modo no espírito da Renascença, sob patrocínio de D. João III na década de 1530-40, situada na confluência do Paço Real e pórtico da Igreja de S. Francisco, foi barbaramente demolida no ano de 1873. Compunha-se de um torreão de planta octogonal decorado por meias colunas toscanas e nichos emoldurados, de vieiras nos arcos de meio ponto, tendo um corpo superior com lanternim de aberturas do mesmo estilo, envolvido, na base, por umas piriformes. Toda a obra era feita de alvenaria ricamente acabada, com excepção da bacia ou taça interior, donde nasciam as bicas distribuidoras da água para o Paço Real e seus Jardins, Conventos de S. Francisco e N.ª S.ª da Graça, a qual é de mármore branco e está guardada nos depósitos do Museu Regional. 

Informação retirada daqui

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Évora volta a ser palco dos Cantos de Janeiras


Cantos de Janeiras, irá voltar uma vez mais a Évora no Dia de Reis (6 de janeiro).
Ao todo serão 21 grupos corais, polifónicos, instrumentais e uma orquestra filarmónica do concelho de Évora a protagonizar este acontecimento organizado pela Câmara Municipal de Évora e pelas Uniões das Freguesias de Évora (Centro Histórico), de Bacelo e Senhora da Saúde e de Malagueira e Horta das Figueiras.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O belo pão alentejano


Muitas vezes se ouve dizer, por parte de pessoas de outras regiões, que não há melhor pão que o alentejano. Verdade insofismável. Por essa razão, não falta quem, demandando Évora em passeio ou em negócio, procure saber onde pode encontrar o pão tradicional da nossa terra, para consumo próprio ou então para satisfazer o pedido, a encomenda de amigos ou conhecidos. 

A preferência vai habitualmente para o mais genuíno, aquele que é cozido em forno de lenha e cujo segredo se encontra na qualidade da farinha e na dose de fermento a utilizar. Uma introdução sobre a história do fabrico do pão torna-se necessária para entendermos que o segredo do pão alentejano reside tão só no máximo respeito pelas técnicas artesanais. É ponto assente entre os historiadores que o pão terá surgido associado à cultura do trigo, na zona da Mesopotâmia (Crescente Fértil), actual região do Iraque, há cerca de 6 milénios, como resultado do cozimento da farinha com água e sal grosso. Estava-se então no início da sedentarização do homem, que deu origem à chamada Revolução Agrícola no período Neolítico. Este primitivo tipo de pão é o pão ázimo, tradicional ente os judeus. O processo de fabricação do pão actual, obtido a partir da fermentação e levedação da massa original, foi obra dos egípcios, poucos anos depois e ao que parece fruto do acaso. 

Presume-se que, por incúria ou esquecimento, os antepassados núbios dos actuais padeiros deixaram passar algumas horas sem introduzir o preparado no forno. Acontece que a grande quantidade de microrganismos disseminados pelo ar, com especial relevância para os fungos de levedura, encontra nas massas de pão expostas as condições adequadas para se nutrir do amido da farinha. Desta forma, o amido desdobra-se em anidrido carbónico e álcool, pelo que a massa acaba por se tornar mais macia e fofa. Durante a cozedura, anidrido carbónico e álcool evolam-se mas o efeito que provocaram reflecte-se sobremaneira na porosidade, sabor e aroma do produto final. Manda a sabedoria que, antes da massa ir para o forno, já toda levedada, se retire um pouco, que servirá como óptimo fermento para a próxima cozedura. E assim consecutivamente. 

A esta massa que vai sendo retirada e ciclicamente introduzida se dá o nome da massa velha. O resto do segredo está no tender e na temperatura do forno. Bem fundamental da sua alimentação, o homem da planície usa o pão como assento do pedaço de toucinho, do naco de queijo, ou da lasca de febra e/ou enquanto substância molhada no ensopado, nas tomatadas, nas migas, na açorda, no gaspacho, modo antigo mas genial de fazer avultar as refeições. Excepcional fixador de cheiros, o pão da região guarda, nesses pratos, a riqueza das ervas aromáticas (alhos, coentros, salsa, poejos e outros). 

Natural é pois que o alentejano o fabrique desde sempre através do método da fermentação lenta. A sua confecção não envolve qualquer segredo mágico de alquimista , como já se aludiu. Exige, porém, uma preparação requintada, que começa na escolha dos próprios grãos de trigo, pela sensibilidade e destreza especial das mãos que o amassam, e passa pelo conhecimento do tempo para borrifar a massa com água, pelo reconhecimento rigoroso do ponto de levedura e pela habilidade no seu tender. Assim se produz o belo pão alentejano, também conhecido por Pão de Cabeça No concelho de Évora fabrica-se com grande qualidade em Guadalupe, na Torre de Coelheiros, Vendinha (S. Vicente do Pigeiro) e na própria cidade, na zona da Urbanização do Moinho. Mas pode-se encontrá-lo também à venda em diversos mini-mercados ou no “Zé do Bacalhau”, no Mercado Municipal.


Receita do pão alentejano
Farinha de trigo: 2500 gramas; Sal grosso: 30 gramas; Fermento de massa: 125 gramas; Água: 1,5 litros.

Em alguidar à dimensão do preparo começa por se dissolver no litro e meio de água, previamente amornada, o fermento e o sal. A pouco e pouco vai-se misturando a farinha que se deve amassar bastante bem para que fique totalmente ensopada. Por isso, sempre que a mistura borbulhe deve a mesma ser borrifada com mais água morna A massa entretanto obtida é posta em descanso a levedar ou a “fintar”, cobrindo-se o alguidar com um pano. Quando crescer 2 a 3 centímetros é chegada altura de a tender, ou seja de a estender com um rolo e dividi-la, neste caso, por 3 pães, tendo em atenção as quantidades de ingredientes utilizados. Os pães vão permanecer a levedar durante mais cerca de meia hora. Depois irão cozer para o forno que deve estar bem quente, devendo esta operação derradeira prolongar-se por cerca de 60 minutos.

Évora Mosaico 
José Frota


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

As Concessões Régias ao Liceu Nacional de Évora


O uso do traje académico (capa e batina), em determinadas alturas do ano, é actualmente prática comum em diferentes Universidades do país. Trata-se da generalização de uma tradição que, tendo sido mercê concedida “ in illo tempore” aos estudantes universitários de Coimbra, apenas se veio a tornar extensiva, por concessão real de 27 de Outubro de 1860, aos alunos do Liceu Nacional de Évora, entretanto extinto no ano de 1977. O estabelecimento de ensino secundário eborense abriu portas no dia 14 de Outubro de 1841, cinco anos depois do ministro Manuel da Silva Passos, mais conhecido por Passos Manuel, ter determinado a criação de Liceus em todas as capitais de distrito. 

O mesmo veio a ser alojado no rés-do-chão do majestoso edifício da antiga Universidade dos Jesuítas, fundada em 1579 e encerrada exactamente dois séculos depois, em consequência da expulsão dos membros daquela ordem religiosa, a mando do Marquês de Pombal. No seu primeiro ano de funcionamento o Liceu registou a matrícula de 17 alunos em regime de internato. O número de estudantes foi subindo progressivamente, atingindo, em 1860, os 110. Ao fim de duas décadas o espírito académico consolidara-se e os estudantes haviam ganho consciência de que, bem vistas as coisas, o Liceu era até certo ponto o sucedâneo da antiga Universidade, e eles os herdeiros legítimos das suas tradições. 

Ainda nesse ano endereçaram um pedido ao reitor para que intercedesse junto do Rei no sentido de lhes ser concedido o uso do traje académico, historicamente descendente das roupas eclesiásticas. Recorde-se que na Ideia Média era quase só o clero que estudava e leccionava. Ora o reitor João Rafael de Lemos, que era igualmente administrador do concelho de Évora e muito conhecido como político e homem de acção, levou ao conhecimento de D. Pedro V a pretensão dos seus alunos. Poucos acreditaram que o seu desejo vingasse junto das instâncias superiores. Mas o mesmo veio a ser deferido, para gáudio de professores e estudantes. A 18 de Julho de 1861 a reitoria mandava publicar o seguinte:



EDITAL
João Rafael de Lemos, comissário dos estudos do distrito de Évora e reitor do Liceu Nacional desta cidade, por S. Magestade (sic) o Senhor D. PedroV, (...) faz saber que: Os alunos do Liceu Nacional desta cidade são obrigados a apresentarem-se em todos os actos escolares com o vestido talar académico, cujo uso lhes foi concedido pela Portaria do Ministério do Reino de 27 de Outubro de 1860, sob pena de serem riscados do livro de matrículas os contraventores. E para que chegue a notícia aos interessados (...) Évora, 18 de Julho de 1861

O comissário de estudos e reitor do Liceu João Rafael de Lemos 



Quase um ano mais tarde, a 14 de Julho de 1862, o reitor via-se compelido a emitir novo edital, que na prática mais não era que uma cópia do teor do primeiro, acrescida de esclarecedora especificação: «...bem como não é lícito a qualquer indivíduo, não matriculado neste liceu, o uso dentro da cidade de Évora, dum vestido talar que, por mercê especial, foi concedido aos alunos daquele liceu por Portaria do Ministério do Reino de 27 de Setembro de 1860; incorrendo na penalidade das leis do reino os que violarem esta proibição». 

A concessão do uso do traje académico arrastava consigo outra – a do direito à posse de hino próprio. Foi o insigne cidadão eborense Joaquim Sebastião Limpo Esquível que se encarregou de compor a música. Aproveitando a circunstância de estar por essa altura na cidade o poeta João de Deus, bacharel em Direito, alguns cavalheiros, como ao tempo soía dizer-se, apelaram junto dele para se dignar fazer e oferecer um hino para a melodia composta. Antes, porém, já os estudantes se haviam antecipado, fazendo idêntica solicitação ao lente do 2º. e 3º. anos de latim do Liceu, Manuel Martiniano Marrecas, gramático de notoriedade nacional, homem de grande probidade moral e intelectual, e conhecido popularmente pelo “Perna de Pau”, devido à mutilação de um membro inferior sofrida na guerra civil de 1832-1834. Foi a letra deste último a escolhida e sancionada, primeiro pela reitoria e posteriormente pelo Ministério. Estava constituído o Hino Académico do Liceu de Évora, que aqui se reproduz: 


Nesta quadra da vida, tão leda, É o saber que, dos lares paternos Nesta aurora dum belo porvir No sorrir da infância, inocentes, Quem já que não sofra contente Vem roubar-vos à mãe carinhosa Quando quer da ciência fruir? E votar-vos à pátria contentes.
É a ciência esse bem que só pode Quando à meta chegardes um dia Uma nova existência apurar Das fadigas que tendes sofrido, Um complexo de dotes e prendas Como filhos que a pátria prezais Que a riqueza não pode outorgar Tereis da pátria o prémio devido. 
Coro Nesta senda de espinhos e rosas Que não goza e não sofre um estudante! Sois alunos da casta minerva, Eia avante ! mancebos,avante! 

Com este património adquirido o Liceu Nacional de Évora ganhou um carisma muito especial entre os estabelecimentos de ensino médio do país. Este viria a fortalecer-se ainda mais em 1902, com a formação da mais antiga Tuna Académica liceal, apresentando-se os seus elementos sempre impecavelmente trajados e dando invariavelmente início às suas actuações com a execução do glorioso Hino Académico. Para que conste e a memória colectiva não olvide as primícias do velho e saudoso Liceu, que tanto marcou a vida da cidade e a adolescência daqueles que tiveram o orgulho e a felicidade de o frequentar.

Évora Mosaico
José Frota
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