sábado, 24 de junho de 2017

Chafariz das Bravas

Está situado na margem esquerda da ribeira da Torregela, a c.ª de 500 m. da antiga Porta de Alconchel, na Estrada Nacional de Lisboa. Foi construído pelo Senado Eborense no último terço do séc. XV e já existia no ano de 1483, como se verifica em determinado período da carta régia de D. João II, datada de 3 de Setembro, que se guarda no Livro II dos Originais da Câmara, a fl. 81 (Cód. 72 do Arquivo Municipal, em depósito na Biblioteca Pública de Évora). O desenho aguardado da vista panorâmica da cidade, apenso à folha de guarda do Foral da Leitura Nova, doado pelo rei D. Manuel em 1 de Novembro de 1501, representa o velho imóvel de aspecto muito semelhante ao actual, embora fosse bastante melhorado no reinado de D. João III, por empreitada do montante de 10 000 reis entregue aos pedreiros Lourenço Luís e Domingos Rodrigues, segundo arrematação pública de 11 de Março de 1528. Possuía o chafariz no eixo da fachada, opulento brasão de armas nacionais e duas carrancas de pedra nos extremos, que o tempo não preservou, embora se admita que o armorial se tenha recolhido no Museu Regional; todavia, esta frente é a primitiva. 

Forte paredão rebocado, de alvenaria, coroado na cimalha por friso regular de vinte ameias góticas e taça rectangular, de granito carcomido pelo tempo, destinada a bebedouro de animais de carga, protege a arca do depósito de águas que, embora potáveis, não se aconselham para consumo público. O cano subterrâneo condutor da nascente e suas caixas de alvenaria, com remates piramidais, foram rectificados nos tempos modernos, desaparecendo estas ao nivelar-se o terreno municipal sobranceiro à ermida de S. Sebastião, destinado aos mercados normais e feiras de gado. Nestes terrenos descobriram-se em 1860 ruínas da época romana de certo merecimento, tanto em alicerces de edifícios como em objectos soltos: pavimentos de mosaicos policromos, fragmentos de cerâmica utilitária e artística, peças de vidro, lápides de mármore com inscrições latinas e uma figurinha de bronze. 

BIBL. Gabriel Pereira, Estudos Eborenses, fase. Antiguidades Romanas em Évora e seus arredores, 2.ª ed. 1948, págs. 302-303; Túlio Espanca, Património Artístico do Concelho de Évora, 1957, págs. 56-57. 

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